quarta-feira, 2 de outubro de 2013

RISPERIDONA, estou te dando uma chance, baby.


Bem, depois muita leitura, de conversar com várias pessoas que eu conheço e que conhecem sobre o assunto - não diretamente a risperidona, mas são da área de saúde e sabem a importância de um tratamento correto. De ter uma luta interior muito grande, pois a princípio, fui contra a decisão do meu marido de não dar o medicamento, conversei com minha sogra, e decidimos, sozinhas, às escondidas, iniciar o tratamento, conforme ordens médicas. Dia 01/10 completamos 2 semanas de tratamento que vai até-deus-sabe-lá-quando.

Vou falar aqui, sem querer agredir a opinião de ninguém, tá? Essa é a minha opinião, somente. Li muito sobre homeopatia, dietas, e blá blá blá. Não acredito. Homeopatia também é remédio. Achismo é coisa perigosa. E ninguém estuda farmácia ou medicina ou química ou seja lá o que for só prá ferrar a vida de outra pessoa. Nem um médico vai passar um medicamento pensando no mal de uma criança inocente. O mundo está perdido, mas peraí né? Gente, mal por mal, os rompantes de raiva, os murros na cabeça, a ânsia, os gritos, a falta de concentração, tudo isso faz mal também. Muito mal. Um mal crônico, diário, que atinge a todos que estão em volta, não só a pessoa que precisa do medicamento e não quer tomar.

Eu sou meio "junkie", não sei se o termo correto seria esse, mas sou da geração Coca-cola e remedinhos coloridos que te fazem mais feliz, sim, obrigada. Eu, Luciana, mãe do Mateus sofro de doença mental sim. Faço tratamento há mais de 2 anos para Transtorno Bipolar,TOC e depressão. Deveria ter começado bemmmmm antes. Mas a necessidade veio porque quando a vida de mais alguém está em jogo, que não só a sua, TUDO MUDA. Quando se é mãe, tudo muda. Eu tomo remédios, fluoxetina e quetiapina associados. Um pela manhã e outro pela noite. Tenho sido uma pessoa melhor, sim. Claro, continuo sendo eu, mas com menos rompantes, menos ansiedade, menos culpa... Meu marido hoje veio com um papo "Luciana, eu descobri, você é autista." Já tinha ouvido isso de uma amiga minha, "Luciana, quer pessoa mais autista que você?" Essa mãe que escreve odeia mudanças de rotina, barulhinhos subliminares, coisas desalinhadas, sair de casa - por mim eu não sairia quase de casa, decoro alguns números inusitados, coleciono coisinhas, meu marido disse "e você só fala de cachorros, você respira cachorros". Enfim. Como acho que já disse antes, eu preciso tentar, e nesse momento não há mais tempo a perder, já perdemos muito tempo dando murro em ponta de faca tentando convencer o óbvio ao pediatra do Mateus até procurarmos ajuda sozinhos. Não, não vamos mudar de pediatra, em momento algum pensei nisso, e não guardo mágoas, é apenas um fato, ele é excelente clínico, cuida do Mateus desde que ele tem 15 dias de vida. Se eu não der a Risperidona para o Mateus e ele piorar, vou me culpar e odiar para sempre. Se eu der a Risperidona e não der certo, vou me culpar e me odiar para sempre, mas pelo menos eu tentei. Meu Deus, como eu amo imensamente meu filho.

É de grande importância, MUITA, ENORME, que os pais estejam bem, nós somos a base dos nossos filhos, autistas ou não. É preciso equilíbrio, calma, amor, em qualquer tipo de educação. O tratamento do Mateus começa em casa, na nossa família, no dia-a-dia, nos exemplos que ele recebe em casa, no amor que ele recebe, e é um esforço diário. Não sejamos hipócritas falando que é fácil e que tudo são flores, porque não são. Como em todo jardim que se prese temos abelhas, temos o mel, temos os espinhos, temos um conjunto de coisas. A escola também é muito importante, o Mateus está matriculado em escola regular. Se ele vai se desenvolver, se vai conseguir acompanhar com o passar dos anos. Não sei. Não sabemos. Mas hoje posso dizer que estou satisfeita com o lugar que escolhi para o meu filho estar. Me sinto acolhida, sinto que ele está acolhido. As tias são uns amores. A terapia é muito importante também. Toda a equipe. Seja ela composta de quais profissionais forem necessários, é preciso confiar. No caso do Mateus, ele passou por uma neuropediatra, agora está sendo acompanhado por uma equipe de psicoterapeuta (com experiência no tratamento de crianças com autismo) e psiquiatra  (com experiência no tratamento de crianças com autismo) e em breve fonoaudióloga  (com experiência no tratamento de crianças com autismo). E o remédio. Ahhhhh o velho tabu em forma de vidrinho, líquido e conta-gotas.

Hoje faz 15 dias que ele está tomando a Risperidona, ele começou tomando 0,25ml/pela manhã durante 7 dias e depois começou a tomar 0,5ml/pela manhã, e assim continua.

O que eu posso dizer para vocês? Meu marido diz que ele está cheio de "mugango". Aqui no Ceará a gente usa esse termo prá se referir a peculiaridades esquisitas que alguém tenha. Ele tem feito muitos flaps com as mãos, é verdade, MUITOS, às vezes ele se balança todinho, mas ele se balança de uma alegria que em 2 anos e 8 meses eu nunca vi nos olhos do meu filho, nem sob cosquinhas... Fazem 2 semanas que eu não preciso dar uma bronca mais "séria" com ele. Ele come como um rapaz, sozinho. Nunca mais deu chilique tomando banho. Nem escovando os dentes. Nem penteando o cabelo. Nem tomando remédio. Nem no trânsito caótico dessa cidade. Nem nas intermináveis filas do péssimo atendimento em fast foods dessa cidade. Nem num barzinho que tivemos a ousadia de levá-lo (postado anteriormente). Faz compras no supermercado com a gente, como um lord (postado anteriormente). Tô prá ver menino mais educado. Abraça a gente toda hora, adora o tal do abraço. Beijo ainda não, mas vou arrancar um qualquer dia. Aposto. Olha nos olhos e sorri. Faz a tarefa de casa. Distribui tchaus. Arrisca atender o telefone. Vê televisão quieto. Tem um mínimo de concentração. Não tem se esmurrado. Poxa, preciso dizer mais? E eu vou dizer que isso tudo não é culpa também da Risperidona? Não posso, seria uma injustiça com ela.

É isso. Não pude falar a respeito antes, por causa de uma situação familiar.

Um comentário:

  1. Amei seu texto, apesar de ter tempo de postagem, vivo isso hj ;)

    ResponderExcluir